O processo de digitalização do Património Cultural

A digitalização 3D envolve um conjunto de técnicas que, combinadas, permitem capturar e reconstituir objectos e espaços com elevado nível de detalhe e fidelidade científica. Ao longo desta página, conheça cada tecnologia e o seu papel no projeto Património Cultural 360®.

Tecnologias de Digitalização

Fotografia de Alta Resolução

O que é

A fotografia de alta resolução permite captar imagens com elevado nível de detalhe, tornando visíveis pormenores que não são perceptíveis a olho nu, desde a textura de uma superfície cerâmica à assinatura de um autor no verso de uma pintura.

Como funciona

Cada objeto é fotografado em múltiplos ângulos e condições de iluminação controlada, garantindo um registo visual completo e cientificamente rigoroso. Em média, são produzidas 8 fotografias por objecto.

Permite

  • Documentar visualmente artefactos históricos com precisão científica
  • Apoiar estudos e análises detalhadas por parte de investigadores
  • Disponibilizar imagens de elevada qualidade ao público de forma gratuita
  • Constituir um arquivo permanente para conservação e restauro futuros

Projeto

Utilizada na captação detalhada de bens culturais móveis de tipologias diversas – de peças arqueológicas a têxteis, de pintura a numismática -, independentemente da sua dimensão ou complexidade formal.

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Fotogrametria

O que é

A fotogrametria é uma técnica de digitalização 3D que permite criar modelos tridimensionais de elevada precisão a partir de múltiplas fotografias de um mesmo objeto.

Como funciona

São captadas várias imagens sobrepostas do mesmo objecto a partir de diferentes ângulos. Uma vez processadas em conjunto por software especializado, estas imagens permitem produzir uma representação tridimensional completa do objeto.

Permite

  • Criar modelos digitais 3D detalhados e cientificamente rigorosos
  • Preservar a forma, geometria e textura de bens culturais em formato digital
  • Facilitar a exploração e análise de objectos em ambiente digital
  • Detectar pormenores invisíveis numa observação directa — como inscrições no verso ou no interior de peças
  • Suportar investigação, conservação, restauro e produção de réplicas.

Projeto

Utilizada na digitalização 3D de artefactos históricos de tipologias muito diversas: escultura, cerâmica, arqueologia, ourivesaria, mobiliário e instrumentos musicais, entre outros.

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Laser Scanning

O que é

O laser scanning é uma tecnologia de digitalização que permite medir com elevada precisão a forma e a dimensão de objectos e espaços, criando uma representação digital tridimensional extremamente rigorosa.

Como funciona

O equipamento emite feixes de laser que captam milhões de pontos no espaço, registando com precisão milimétrica a posição geométrica de cada ponto da superfície digitalizada. Os dados recolhidos são depois processados para criar modelos tridimensionais de elevada fidelidade geométrica, que podem ser utilizados para análise, conservação, investigação ou disponibilização pública.

Permite

  • Mapear estruturas complexas (edifícios, monumentos e sítios arqueológicos) com precisão milimétrica;
  • Registar a geometria de objetos com superfícies refletoras ou de difícil acesso;
  • Criar modelos 3D de elevada precisão para apoio à conservação preventiva e ao restauro;
  • Desenvolver digital twins de espaços patrimoniais para gestão e monitorização;
  • Apoiar processos de investigação científica e documentação arquitectónica.

Projeto

Utilizado no levantamento tridimensional de edifícios históricos, monumentos e artefactos arqueológicos de grande dimensão ou com geometria complexa.

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Luz Estruturada

O que é

A luz estruturada é uma tecnologia de digitalização tridimensional que projeta padrões de luz conhecidos sobre a superfície de um objeto.

Como funciona

São projetados padrões de luz sobre a superfície do objecto. Câmaras calibradas registam a forma como esses padrões se deformam ao longo da superfície, e o software processa essa informação para calcular a geometria 3D com precisão sub-milimétrica.

Permite

  • Captar superfícies com grande detalhe geométrico e precisão sub-milimétrica;
  • Digitalizar formas complexas: relevos, inscrições, texturas em baixo e alto relevo;
  • Complementar outras tecnologias em soluções híbridas para objectos de difícil captura;
  • Apoiar a documentação técnica de bens patrimoniais para conservação e restauro.

Projeto

Utilizada na digitalização de objectos de pequena e média escala que exigem elevada precisão geométrica, como moedas, jóias, selos, relevos decorativos e outros artefactos com detalhe superficial fino.

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LiDAR

O que é

O LiDAR (Light Detection and Ranging) é uma tecnologia de digitalização tridimensional que utiliza feixes de laser para medir com elevada precisão a distância entre o equipamento e as superfícies, permitindo gerar modelos digitais 3D detalhados de objetos. No contexto de bens culturais móveis, distingue-se do laser scanning tradicional pela maior rapidez de aquisição e pela capacidade de captar volumes e formas complexas com elevada eficiência.

Como funciona

O equipamento emite pulsos de laser que, ao atingir a superfície do objeto, regressam ao sensor, sendo registado o tempo de retorno para calcular distâncias com grande rigor. A partir de milhares ou milhões de medições, é gerada uma nuvem de pontos que representa a geometria tridimensional do objeto, podendo posteriormente ser processada para criar modelos digitais detalhados.

Permite

  • Registar com precisão a forma e o volume de objetos tridimensionais;
  • Captar geometrias complexas de forma rápida e consistente;
  • Produzir modelos digitais 3D para análise, conservação e documentação;
  • Complementar outras tecnologias em objetos com maior dimensão ou menor detalhe superficial.

Projeto

Utilizado na digitalização tridimensional de bens culturais móveis de pequena e média dimensão, especialmente esculturas, peças arqueológicas e outros objetos com volumetria complexa, permitindo criar representações digitais rigorosas para apoio ao estudo, conservação e disponibilização pública.

 

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Registos Audiovisuais

O que é

Os registos audiovisuais consistem na captação sistemática de imagens fotográficas de alta resolução dos imóveis, assegurando a documentação visual rigorosa da envolvente, dos espaços e dos seus pormenores mais significativos.

Como funciona

São utilizadas câmaras de alta resolução para registar, de forma estruturada e sequencial, diferentes áreas e perspetivas dos imóveis, garantindo cobertura completa e coerente dos espaços.

Permite

  • Documentar de forma rigorosa os espaços e os seus elementos
  • Assegurar o registo visual detalhado de interiores e exteriores
  • Criar bases de imagem consistentes para arquivo, estudo e divulgação

Projeto

Utilizados no registo fotográfico sistemático de monumentos históricos, conjuntos patrimoniais e sítios arqueológicos, garantindo a sua documentação visual completa.

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Perguntas frequentes

O número varia consoante a tecnologia e o tipo de objecto. Na digitalização 2D, são produzidas em média 8 fotografias por objecto. Na digitalização 3D por fotogrametria, são precisas no mínimo 100 fotografias por objecto, podendo este número ser significativamente superior em objetos de geometria complexa.

O laser scan é superior em precisão geométrica e na captura de objetos com superfícies refletoras ou de difícil acesso, mas tem menor resolução de cor e textura. A fotogrametria capta com maior fidelidade a cor e a textura dos objectos mas pode ser menos precisa geometricamente em certos contextos.

Sim. Os objectos em vidro ou com superfícies muito reflectoras continuam a ser um dos maiores desafios para os profissionais da digitalização. A sua transparência e capacidade refletora interferem com a maioria dos sistemas de captura, implicando o desenvolvimento de soluções híbridas que recorrem a mais do que uma tecnologia em simultâneo.

As tecnologias utilizadas encontram-se entre as mais avançadas disponíveis. Contudo, o aspecto mais inovador do projeto Património Cultural 360® reside nas metodologias de trabalho, nas soluções híbridas desenvolvidas e no modelo de gestão que permite digitalizações massivas em simultâneo, por várias equipas distribuídas por todo o país, a uma escala inédita em Portugal, relacionando milhares de digitalizações com a respectiva informação descritiva de cada bem cultural.